Apesar de considerar a enurese um problema que deve ser avaliado de forma multidisciplinar, Dr. David observa que muitos casos podem ser resolvidos sem acompanhamento psicológico, aliando apenas a compreensão dos pais e algumas dicas médicas. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a enurese, ou micção noturna, é um problema constrangedor e difícil para a criança. Se ela é incapaz de prender a urina durante a noite, as razões desse fato devem ser investigadas, começando por uma visita ao pediatra. Julgar a situação como mau comportamento da criança é um equívoco, porque fazer xixi na cama não é uma atitude intencional. Ao culpar a criança, os pais só interferem negativamente na sua auto-estima.
O pediatra aponta dois tipos de casos: a enurese primária, quando a criança tem um histórico de nunca ter controlado a vontade de urinar, e a enurese secundária, caracterizada como doença ou comprometimento psicológico. "No primeiro momento, a conduta médica deve ser a de investigar possíveis problemas orgânicos", afirma o Dr. David. As causas orgânicas geralmente referem-se a infecções no trato geniturinário, que podem interferir no funcionamento normal da bexiga. Mas também podem ter relações com a espinha dorsal, diabetes ou disfunções hormonais. Algumas vezes, a cobrança dos pais no sentido de que o filho apresente amadurecimento e total controle gera estresse e medo na criança, o que acaba por provocar a enurese, diz o pediatra.
"A crítica construtiva, sem expor a criança ao ridículo, é o melhor caminho". Lembrando sempre que cada criança tem seu tempo próprio de desenvolvimento.
Como ajudar seu filho:
Afastadas as causas orgânicas para esse
comportamento, algumas dicas simples podem contribuir para evitar o
fato. Os pais devem estar atentos, em primeiro lugar, para não cobrar
atitudes do filho, orienta o Dr. David, segundo ele, o ideal é que o
menor número de pessoas saiba sobre o que está acontecendo.Estabelecer uma "política de prêmios" é uma estratégia que leva a bons resultados, sugere. "Montar um calendário, onde a própria criança marca com quadradinhos os dias em que não fez xixi na cama é um bom começo", ensina o pediatra. Cada noite sem molhar a cama deve ser recompensada com um pequeno prêmio, que pode começar com uma bala, aumentando-se gradativamente o valor dos prêmios.
O volume de líquidos ingerido à noite deve ser controlado e a criança deve ser estimulada a fazer xixi uma ou duas vezes antes da hora de dormir. E é ainda possível praticar com a criança um exercício para auxiliá-la a controlar a vontade de fazer xixi. O chamado ato de urinar em dois tempos pode transformar-se numa brincadeira: os pais estimulam o filho a fazer um pouco de xixi e parar, segurar a urina, para depois continuar.
Se essas práticas, mais o carinho e entendimento dos pais, não funcionarem, há ainda a alternativa de utilização de medicamentos, como, por exemplo, um spray nasal de hormônio antidiurético, que ajuda o corpo a reabsorver água e reter a urina. Somente depois desse processo de investigação e tentativas para solucionar o problema, e o recomportamento da criança mantiver-se inalterado, ocorre o encaminhamento para orientação psicológica, assinala o Dr. David.
Fonte: AloBebe
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